|
RECUPERAÇÃO DOS ESPAÇOS URBANOS E RECOMPOSIÇÃO DA FLORA
NATIVA
Em conversa com a população do entorno das praças podemos
observar que as mesmas ultrapassam o seu papel da
conveniência urbana para apropriar em locais estratégicos
de, muitas das vezes em formato que a uma leitura, feminina;
aconchego humano.
A musicalidade urbana tem sua partidura, notas ora vistas em
janelas e portas no sitio histórico, ora no colorido da
vegetação em que a harmonia que é levada pelos ventos por
toda a cidade. Mais a recuperação da flora nativa original
do ecossistema deverá ser a premissa deste trabalho de
restaurar e conscientizar a população desta nova praça.
É hora de esquecer as praças como meramente um espaço
decorativo e implantar novos modelos naturais que provoquem
emoções estéticas a partir da valorização da biodiversidade
em que se insere (cidade do complexo estuário lagunar e
presença da APA de Santa Rita).
Vamos definir essa recuperação como projeto do ecogênese
(intervenções que visa recuperar o ecossistema como o uso
condensado e da flora local), melhor dizendo: jardins úteis.
Esta atitude tentará incorporar o gesto paisagístico aos
princípios preservacionistas e conservacionistas de
recuperação do ecossistema, conduzindo o restabelecimento de
uma cobertura vegetal ecologicamente ajustada à filosofia
regional da paisagem urbana, agregados ao regime climático e
à guarda da fauna residual.
Então, as praças terão o seu papel de agregar o convívio
urbano a recuperação e regeneração do ecossistema local, e
oxalá, no retorno dos cantos das aves, micos e vegetações
que poderiam já estarem fadadas as extinções.
Tal trabalho contará com a participação de várias
secretarias (Educação, Meio Ambiente, Cultura, Saúde) e
órgãos como Ima, Ibama, Sebrae, que contribuíram como
parceiros nesta nova filosofia de ver nossas praças.
O município de Marechal Deodoro realizará dessa forma um
paisagismo consciente e transformador, pelo bem do Planeta
Terra, pelo prazer de estar numa cidade brasileira aliada ao
resgate histórico-cultural-urbano e agora paisagístico.
Poema a céu aberto
– Leitura intimista da cidade histórica de Marechal Deodoro.
Por
Lúcio Santos
Este sítio caracteriza-se em seu acervo
arquitetônico muito mais pela aparente unidade de suas
imagens de 305 edificações, seu contexto urbano, suas
tradições culturais do que pela preservação arquitetônica.
Digo, pois este sítio ao foi construído só de uma só vez,
tendo crescido e se modificado ao longo do tempo,
construindo seu acervo em vários estilos. Em tempo atrás as
novas edificações de um mesmo estilo variavam de acordo com
os métodos e o uso das matérias e da mão-de-obra local.
Mais o modo de fabricar e os materiais
utilizados foram muito lentamente alterados e não romperam a
aparência harmoniosa nas edificações até o período do
ecletismo, no começo do século XX.
Mesmo as edificações mais recentes, do meado
do século, quase contemporânea, não modificaram a escala do
logradouro, nem contrasta com a aparência dos estilos do seu
entorno.
Este centro histórico preservado, tem uma
relação íntima com a paisagem, e o seu significado cultural.
A relação com o horizonte da lagoa Manguaba
visto do alto de suas ladeiras ornamentadas pelos coqueiros,
a brisa leve e pela luminosidade captada por sua população
sentada em degraus e alpendres de suas ruas, cria uma bela
cenografia urbana.
Essa unidade aparente e essa permanente
relação simbólica com a paisagem decorrem de uma
continuidade histórica.
Ernest Gombrich
analisa essa atração irresistível dos centros
histórico e de seus monumentos de um ponto de vista
psicológico e atribui ao crescimento orgânico, através das
inumeráveis e pequenas intervenções, sem exclusão de um
instintivo cuidado com a aparência das coisas, o segredo de
sua continuidade e equilíbrio.
E o podemos tirar dessa passagem do tempo é
que em um crescimento orgânico, não planejado, não devemos
repudiar esses valores já conquistados e de memória. Esses
acúmulos são decorrentes da evolução de sua identidade que
foram determinados pela configuração de eventos culturais e
históricos, inevitavelmente ligados ás suas tradições, e por
isso fundamentalmente escopo de trabalhos turísticos
galgados no endógeno.
Temos assim vários registros artesanais que
foram acumulados no tempo, tradições de diferentes etnias,
que com esse mesmo tempo passado, foi refazendo uma nova
história nas mãos sensíveis que registram sua própria
história.
São rendas, bicos, bebidas e artesanato que
contam mais histórias deste município que por vários atores,
tentaram destruir este cenário urbano e rural, por alguns em
luta mortal, a preservação destas tradições.
|